Estudo da Anvisa aponta excesso de agrotóxicos
Flávio Laginski
Sinal vermelho na hora de comprar alimentos. Um estudo divulgado
recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
alertou para o excesso de agrotóxicos presentes principalmente em
verduras, legumes e frutas. De acordo com o estudo, das 17 culturas
analisadas, em 1.773 amostras coletadas, pouco mais de 15%
apresentavam níveis altos de toxicidade.
O grande vilão dessa história é o pimentão. Nesse alimento foi
encontrado o maior nível de agrotóxicos. Das amostras coletadas, o
legume apresentou irregularidades em 64%. Em seguida, vieram o
morango, a cenoura e a uva, todos com índices acima de 30%.
Após a verificação dos resultados, os produtos com qualidade insatisfatória foram divididos em duas categorias: resíduos que excederam os limites máximos estabelecidos em legislação ou agrotóxicos não autorizados para aquele determinado alimento. Contudo, de acordo com o ministro da saúde, José Gomes Temporão, o estudo não significa que todos os produtos da pesquisa estão contaminados.
Temporão diz que esse estudo serve como um alerta para a
população conhecer quais os produtos que estão mais seguros para se
consumir. Serve também para que os agricultores mantenham boas
práticas de plantio, sem abusar dos agrotóxicos e respeitando a
determinação da vigilância sanitária.
Entretanto, nem tudo são más
notícias. O estudo revela que muitos alimentos tiveram quedas no
índice de agrotóxicos. O tomate, que em estudos anteriores
apresentou 44,72%, baixou para 18,27%. A batata caiu de 22% para 2%
e a banana caiu de 6,53% para 1,03%, ambas no período compreendido
entre 2002 e 2008. Outros produtos comuns na mesa do brasileiro,
como arroz, feijão, maçã e cebola, apresentaram níveis abaixo de
4,5% de irregularidade.
Recomendações
O ministro recomenda como medida para reduzir o choque pela
ingestão desses alimentos contaminados, que os consumidores lavem
muito bem os alimentos e que as folhas externas sejam retiradas,
como forma de precaução. Uma alternativa apontada por Temporão é o
consumo de alimentos que apresentam certificados, como os de
indicação de origem, e aqueles que são livres de agrotóxicos, como
é o caso dos alimentos orgânicos.
Em Curitiba, foi inaugurado recentemente o mercado municipal de
orgânicos, que funciona anexo ao Mercado Municipal. Nesse espaço, o
consumidor pode encontrar não apenas frutas, verduras e legumes
tratados sem qualquer tipo de produto nocivo à saúde, mas também
laticínios e até mesmo carne orgânica. Além do mercado, os produtos
orgânicos podem ser encontrados também em feiras livres e em alguns
supermercados.
Notificação sobre uso de produtos proibidos
Após a divulgação do estudo feito
pela Anvisa, o diretor da agência, Agenor Álvares, disse que a
Polícia Federal e o Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa) serão notificados de que alguns dos alimentos
examinados estavam intoxicados por agrotóxicos de uso proibido no
País. Ele revelou que o Mapa, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e
o Ministério da Saúde (MS) vão promover uma ação conjunta para que
os agrotóxicos estejam devidamente adequados para as necessidades
de produção, meio ambiente e para a saúde da população. Para ele, a
agricultura não pode prejudicar a saúde dos brasileiros e promete
rigor na apuração desses fatos.
Ano passado, o trabalho de reavaliação do uso de defensivos
agrícolas teve como característica uma longa briga na Justiça
contra liminares favoráveis às empresas que fabricam esses
produtos. A Anvisa conseguiu êxito e derrubou essas liminares e
conseguiu dar continuidade no trabalho de fiscalização desses
produtos. Em quatro anos, no período de 2002 a 2006, cinco
ingredientes ativos foram proibidos (benomil, heptacloro,
monocrotofós, lindano e pentaclorofenol) e seis tiveram restrição
quanto ao uso (IAs, captana, folpete, carbendazim, clorpirifós e
metamidofós).
Extraído de : http://www.parana-online.com.br/editoria/economia/news/370235/










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